segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Poesias num feriado: Debaixo do vento / Amor eterno / Then I close my eyes


Debaixo do vento

Jardín perdido,

arena, viento, nada.

Te he conocido.

Adolfo Bioy Casares

Quando escorria um vento

Dizia-se e já se foi.


Um dia num jardim secreto

Repleto de ousadias

O vento testemunhou uma saia

Repleta de fantasias.


O segredo deixou suas pegadas

Entre vadios que não pisavam

E o frio dos pensamentos

Que não deviam.

Escorreu o que não escorria

A saia de vestir e a serventia

Tudo servia

À menina do vestido

Que do vento sabia/

Que escorria por entre seus jardins secretos

Suas frestas e fantasias.


Quis assim o diabo-destino

Duas mãos enterrarem

Sob o vento/

As saborosas maledicências

Durante um indeciso desacordo.


No jardim secreto/

No jardim secreto/

Escorria uma fantasia

Entre mãos trêmulas

Por debaixo do vento/

Quatro mãos ensaiavam

Percorrer/

Lívidas/

Por onde escorria a fantasia.

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Amor eterno

Na sexta-feira jurei amor eterno

No sábado propus-lhe casamento

No domingo nos separamos

Porque era véspera de segunda.

Deixei escapar os dias

Deixei escapar os santos

E todos os demais feriados enforcados.

Um ano inteiro se passou/

Não foi só uma sexta ou um fim de semana

Na verdade perdi o sem fim dos dias.

Foi bem no fim da vida que lhe fiz outra proposta:

Morre amanhã comigo?

Deu-me um tapa na cara na frente de nossos netos.

Todos riram e pensei em bom caduquês:

Então amanhã choro intransitivo.


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Then I Close My Eyes

(sob uma música de David Gilmour)


Enquanto o mundo se diverte

Entre atos e calafrios

O destino pune

Mal acordo/

Mal os instantâneos/

Males oblíquos à revelia

Enquanto isso.


Enquanto o mundo acorda

Teu olhar sonha sem mim

Por onde caminhará

O lençol do horizonte

A roçar sua pele azulada

Fria/

Rio entre pedras

Por onde caminhará

Fria/

Nua, as palavras.


Enquanto fecho meus olhos

Você dorme longe sem minhas palavras

Azuis/

Silêncio.

Então fecho meus olhos

Para ver o que nunca soube

Sobre encantos e partidas.

Entretanto/

Entre árvores e lilases

Coices reverberam inúteis/

Extemporâneos, enfurecidamente cegos

Azuis lábios/

Carnudos quase ensanguentados.


Enquanto o mundo se diverte

Entre atos e calafrios

Teus olhos frios

Azuis/

Tua pele/

Tua pele/

Tua pele/

Só encantos e partidas.

6 comentários:

Anne M. Moor disse...

Carlos Eduardo...
Me perdeste um tantinho...
Velhice? Morte? Amor?
Êta que trio...

Me deixaste pensando... os meus neurônios enlouqueceram!!

Beijo :-)

Carlos Eduardo Leal disse...

Anne querida,
Talvez: vida, amor e morte. Que tal este trio? Vivemos entre o nascer e o morrer e o que sobra, se sobra, um pouquinho de amor, como dizia G. Rosa, já é um descanso na loucura.
Grande beijo
Carlos Eduardo

Michelle Nicié disse...

bendito vento que te inspirou!
palavras de azulensangüentado (com trema mesmo!), rs, bjuss, M.

Carlos Eduardo Leal disse...

M,
Com vento, invento
Sem vento, tempestade. :)))
Mande notícias do mundo de lá...bon voyage!
Bj
C. Eduardo

Adriana Guedes disse...

Adoro sua poesia ousada, incoerente, inconsciente, inconsequente. Que belo jardim secreto! Lindos poemas, sempre.
Abraço,
Adriana.

SHE disse...

Hola Carlos gracias por dejarme conocer tu sitio tan humano, coherente y sensible,me agrada, es un verdadero jardìn secreto, encantada de perderme.