quinta-feira, 16 de julho de 2009

Blind Date

Queria escrever uma palavra bonita.
Bonita era a palavra que eu queria escrever.
E a escrevi há tanto tempo na minha pele
Que nem sei mais a sua cor.
Tornei a escrevê-la num dia de sol em que pensei:
ah, agora vais aparecer bem defronte ao meu coração.
Mas, vertiginosa ilusão!
Bonita era apenas o nome da minha dor.

BH - 14/07/09

10 comentários:

Raquel disse...

Bonita era apenas o nome da minha dor...

A beleza realmente dói... corrompe, mastiga, eleva e dói...

Bjs,
Raquel.

Adriana Guedes disse...

Que bonitinho.
Tava com saudade do poeta!
Bj
Adriana.

Rosa Maria disse...

Hummm, belo trailer! Imagino o filme! :)))
Beijo.
RM

Carlos Eduardo Leal disse...

Raquel,
A beleza dói, corrói...Lacan dizia que por detrás da beleza estava o horror. Concordo com ele.
bjs
CEL

Carlos Eduardo Leal disse...

Ai Adriana,
Me perdoe por recair em tentação rsrsrs
É que às vezes preciso da poesia para respirar. Acho que neste dia estaba com o "dariz" endupido, ou a alma, sei lá.
bjs poéticos
CEL

Carlos Eduardo Leal disse...

Rosa,
Você tem razão. É possível, mas não de todo verdade, que a poesia possa ser a ante-sala para o filme. Pode ser que muitas vezes também aconteça ao contrário. Minha benção ao Fernando P., ao Carlos D., ao Mário Q. Estes sim, grandes roteiristas dos meus filmes.
bjs
CEL

Rosa Maria disse...

Ah, Cel, as palavras são polissêmicas e sempre múltiplas as veredas que se abrem quando as dizemos...Por isso, como li em algum lugar, são cinquenta por cento de quem as enuncia, e o restante de quem as recebe, o que oportuniza criações conjuntas e maior riqueza! (e, é claro, desencontros tb! :))) Lembro a respeito o Milan Kundera, na Insustentável Leveza do Ser...Pensei o teu belo poema como trailer dos livros de poesias que escreveste e que uma dia ainda hei de ler! :))) Para mim a poesia, seja sob a forma de versos, seja a prosa-poética, como a tua, é que acende estrelas, o meu norte!
Outro beijo. RM

Carlos Eduardo Leal disse...

Imagine Rosa,
Você mesma é quem diz: é preciso o leitor(a) para que as constelações das palavras acendam o lume que guia o escritor.
Bjs
CEL

Lu Andrade disse...

Adorei isto. Reconhecer o quanto é doloroso admitir a dor... O trágico do belo, conspirador. E o cenário me embeveceu, um dia de sol?! Continuo a imaginar.
Bjos.

Carlos Eduardo Leal disse...

Lu,
Os cenários variam de acordo com o olhar interior de cada um.
Bjs
Carlos Eduardo