terça-feira, 10 de março de 2009

Casablanca - Humphrey Bogart e Ingrid Bergman

Quantas vezes ainda verei Casablanca? Quantas vezes ainda me emocionarei com os belíssimos diálogos e Sam cantando As time goes by?
Alguns diálogos ficaram famosos. Vale a pena relembrá-los:
Logo no início, quando uma garota pergunta a Rick (Humphrey Bogart, dono do restaurante Ricks) o que ele fez na noite anterior, ele responde: “Faz muito tempo para que eu me lembre”. Na mesma conversa, a moça insiste para saber o que ele fará mais tarde, e obtém a clássica resposta: “Não costumo fazer planos a longo prazo”. Em outro momento, após Ilsa (Ingrid Bergman) contar para seu marido, Victor, como ela e Rick se conheceram em Paris, este suspira: “Eu me lembro de todos os detalhes. Os alemães vestiam cinza e você, azul”. Em uma das recordações dos momentos que passaram em Paris, Ilsa diz duas frases célebres quando os alemães invadem a cidade: “Isso foi o barulho de um canhão ou o meu coração que deu um salto?” e na despedida com Rick: “Beije-me. Beije-me como se essa fosse a última vez”. Os dois acabam decidindo fugir juntos, mas, na última hora, Rick manda Ilsa ir embora com seu marido. Neste momento, os dois travam o diálogo mais célebre do filme: “E nós, Rick?”, pergunta ela. “Nós sempre teremos Paris”, ele responde. 
Enquanto assistia ao filme, uma outra cena se passou ao meu lado quase que despercebida. Uma senhorinha, que já passava dos oitenta, mas extremamente lúcida e ainda cheia de sentimentos, soltou um longo suspiro e disse num tom quase confessional: "Só quem já viveu uma grande paixão sabe da dor de uma perda destas".
Casablanca continua emocionando e fazendo reviver na vida de cada um nossas eternas cidades imemoriais. Eternidade que só a cumplicidade dos amantes protege como quem guarda uma flor seca, vivamente seca, dentro do livro de cabeceira. 
E a cada vez que se abre o livro de cabeceira, a flor parece proferir com a força da saudade o nome que secretamente ainda guarda, como que para relembrar que 'sempre haverá Paris'.  


AS TIME GOES BY

Letra e Música de Herman Hupfield

You must remember this,
A kiss is still a kiss,
A sigh is just a sigh;
The fundamental things
[apply

As time goes by.
And when two lovers woo,
They still say, "I love you ",
0n that you can rely;
No manter what lhe future
[brings
As time goes by.

Moonlight and love songs,
[never out of date,
Hearts full of passion,
jealousy and hate;
Woman needs man, and
man must have his mate,
That no one can deny.

lt's still lhe same old story
A fight for lave and glory,
A case of do or die
The world will always
[welcome lovers
As time goes by.

 




10 comentários:

Ana Paula Gomes disse...

Carlos, Obrigada por adoçar minha tarde, e sem riscos de diabetes. Vou querer rever o filme, e seu texto me inspirou para outras escritas. Como sempre.
Bjs,

Ana Paula

Michelle Nicié disse...

Oi Carlos Eduardo,

se as cidades falassem quantos pequenos segredos elas não revelariam? avenidas, ruas, praças, parques, cinemas, esquinas...
enquanto lia seu texto, 'as time goes by' ecoava sem parar em minha cabeça.
adorei!
beijos
Michelle

Adriana Guedes disse...

Eduardo, vc diz "sempre haverá paris". Penso que, por vezes, a "flor seca guardada no livro da cabeceira" traduz infinitamente com mais realidade a paixão: intensa, mas efêmera. Fica uma silhueta em ruínas do que um dia foi cor, luz, cheiro e vivo. Triste, né?
Vou rever o filme para buscar paris.
Abraço,
Adriana.

Ana Paula Gomes disse...

Adriana,

Linda a metáfora que vc ouviu e escreveu da flor seca. Maravilhoso!

Bjs,

Ana Paula

Juliana disse...

Um filme que vai do amor que une os protagonistas ao ódio do confronto entre franceses e alemães. Uma obra prima que ultrapassa períodos, vence regionalismo, nacionalismo e se eterniza. Concordo com a Adriana, uma pena que esse romance intenso e inesquecível, tenha um desfecho de impossibilidades e separação.
Juju

Carlos Eduardo Leal disse...

Cláudia,
Será muito bem recebido a poesia em contraponto à sua. Seja bem vinda!
Abraços,
CEL
Juliana,
Talvez o filme se torne inesquecível, entre outras coisas maravilhosas, justamente pelo desfecho. Em geral, o happy end é previsível.
Abraços,
CEL

claudiarreina disse...

Vamos em frente...

Paula Saraquine disse...

Oi Carlos Eduardo,
Diferente de Rick que disse: “Não costumo fazer planos a longo prazo”, eu acabei de fazer um: rever Casa Blanca...
Sabe o que, além de seu texto, me inspirou? O suspiro da senhorinha que assistia ao filme...Um bj
Paula

Veronica disse...

Vc me fez lembrar de uma frase que ouvi de uma professora em tempos de escola normal, lendo o texto de Tristão e Isolda: "Todo grande amor é lírico e burro".

Saudades.

Verônica

Carlos Eduardo Leal disse...

Vou lá neste blog para ler.
Obrigado Cláudia