domingo, 29 de janeiro de 2012

Adeus palavra-saudade


Adeus palavra-saudade.
Aqui me despeço de ti. Não sei se tornarei a vê-la.
Se o tempo /
Caminhar além do tempo, e os braços além dos abraços /
E minha mão pender solo em meu voo, não procure explicações.
O sentido das coisas perdidas não é o mesmo do que separo com certo zelo desmesurado para guardar.
Quando caminhar procurando cheiros olvidados /
Metáforas distorcidas /
Lençóis ensanguentados /
Nada vais achar.
Se a dor /
For implacável, mesmo assim não olhe pra trás,
Muito menos procure acasos ou desesperos em meus olhos.
Não contamines as outras palavras tão minhas. Não queiras roubar uma lembrança que já não há.
Por acaso, roubarias o silêncio do silêncio?
Ou pouparias da dor o desespero?
O vazio ocupa a sala central e a ruas adormecem sem ti.
Adeus palavra-sentida.
Adeus. 

5 comentários:

mônica disse...

Tão bonito e tão trite, Carlos Eduardo...
Meus olhos estão rasos d'água.
Vou guardar no diário.
*,*,*,

Ana Carolina disse...

"Não contamines as outras palavras tão minhas. Não queiras roubar uma lembrança que já não há. Por acaso, roubarias o silêncio do silêncio? Ou pouparias da dor o desespero?"

Que lindo, pai.
Beijos

Anne disse...

Carlos Eduardo

Saudade... Que maneira bem linda de a espelhar!

beijos
Anne

Silvia King Jeck disse...

Tão triste e tão verdadeiro...Dizem que só em russo e em português existe uma palavra para saudade. Será isto porque a sentimos além da conta?
Beijos, Silvia

Tais Luso disse...

Saudades... uma das palavras mais lindas da nossa língua! Mesmo assim ela se faz doer.
Sinto saudades da época em que não conhecia as maldades do mundo, das violências, dos fracassos, das culpas ou dos remorsos. Saudades dos que me deixaram e partiram! Ficando em mim parte deles...

Sinto saudades da minha inocência. Sinto que viver de lembranças faz um rebuliço no presente: nos prende e nos atrasa. Nos reporta apenas a uma vida que não volta mais.

O mundo é este aqui, nesta sociedade cada vez mais doente, cheio de gente enlouquecida rolando suas neuroses. E ter vivido ontem como hoje, é batalha, é guerra, é superação. É coragem.

Que minhas saudades se acalmem e que calem; que me deixem viver na parte que me cabe neste louco latifúndio.

Beijos
Tais Luso