domingo, 18 de setembro de 2011

A Viagem Vertical



A VIAGEM VERTICAL

 "A descida seduz / como seduziu a subida. / Nunca a derrota é só derrota, pois / o mundo que ela abre é sempre uma parada / antes / insuspeitada".  (W. Carlos Williams)

Você já teve a "necessidade urgente de ser outro"? Pois é isso que Federico Mayol aos setenta e sete anos, o protagonista do romance A Viagem Vertical precisa fazer da noite para o dia. Pior do que isso: um dia após completar as 'bodas de ouro', sua mulher o expulsa de casa. "Você só conhece de verdade uma mulher quando a tem contra si", comenta amargamente Federico. 
Atônito e sem saber para onde ir, procura o filho mais velho que herdara seus negócios. Nova decepção. O filho que havia multiplicado os bens da família, confessa que sempre detestou aquela 'maldita herança'. O outro filho, o pintor, Mayol o considerava um louco que ficava visionando um Porto Metafísico que haveria sobrado da Atlântida. Diante destas duas duras realidades, Federico irá declarar que "trata-se de um claro atentado à minha dignidade de pai." E, como tudo irá acontecer nesta viagem vertical, ele se dirige para o sul: geograficamente (pois foi da Espanha para Portugal) e para dentro de si mesmo. Fato que o leva a se perguntar pela primeira vez na vida: quem sou eu? Estava afundando. Jamais poderia supor que a sua vida pacata, inculta - nunca lera um só livro -  terminaria solitária como uma ilha. De fato ele vai tentar sumir da vida indo se radicar na Ilha da Madeira. Só que quando tudo parecia perdido, um fato inusitado acontece: ele se depara num bar com um grupo de jovens intelectuais. Logo ele que nunca havia lido um único livro, mas que tinha sido um excelente jogador de pôquer. Seu blefe logo é descoberto, porém o que poderia ser a derrocada final, irá surgir como uma possibilidade de reconstrução, de recriação de si mesmo. E da "excepcional capacidade para afundar", este fascinante personagem irá promover em cada um que o acompanhar nesta Viagem Vertical  de Enrique Vila-Matas (Cosac & Naify), um lindo mergulho na arte de (sobre)viver.

3 comentários:

Anne M. Moor disse...

Quero ler... Livraria Cultura, me aguarde.

bj
Anne

Angela disse...

Olá Carlos!
Considerando seu comentário em meu blog, aproveito para ressaltar mais essa vantagem da EaD, que é a possibilidade de interação com outras pessoas através de ferramentas tecnológicas e assim, contribuir para agregarmos conhecimento. Aproveito o momento para agradecerpor suas palavras e para parabenizá-lo pelo blog, que com certeza há de ser muito útil para minhas pesquisas

Vera Portella disse...

Carlos...fiquei imensamente feliz com seu comentário em meu singelo
blog. Parabens pelo trabalho maravilhoso em seu blog.abraços