quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Enrique Vila-Matas - A viagem vertical

Você já teve a "necessidade urgente de ser outro"? Pois é isso que Federico Mayol, o protagonista do romance A Viagem Vertical precisa fazer aos setenta e sete anos, da noite para o dia. Pior do que isso: um dia após completar as 'bodas de ouro', sua mulher o expulsa de casa. "Você só conhece de verdade uma mulher quando a tem contra si". Atônito e sem saber aonde ir, procura o filho mais velho que herdara seus negócios. Nova decepção. O filho que havia multiplicado os bens da família, confessa que sempre detestou aquela 'maldita herança'. O outro filho, o pintor, Mayol o considerava um louco que ficava visionando um Porto Metafísico que haveria sobrado da Atlântida. Diante destas duas duras realidades, Federico irá declarar que "trata-se de um claro atentado à minha dignidade de pai." E, como tudo irá acontecer nesta viagem vertical, ele se dirige para o sul: geograficamente (pois foi da Espanha para Portugal) e para dentro de si mesmo. Fato que o leva a se perguntar pela primeira vez na vida: quem sou eu? Estava afundando. Jamais poderia supor que a sua vida pacata, inculta - nunca lera um só livro - terminaria solitária como uma ilha. De fato ele vai tentar sumir da vida indo se radicar na Ilha da Madeira. Só que quando tudo parecia perdido, um fato inusitado acontece: ele se depara num bar com um grupo de jovens intelectuais. Logo ele que nunca havia lido um único livro, mas que tinha sido um excelente jogador de pôquer. Seu blefe logo é descoberto, porém o que poderia ser a derrocada final, irá surgir como uma possibilidade de reconstrução, de recriação de si mesmo. E da "excepcional capacidade para afundar", este fascinante personagem irá promover em cada um que o acompanhar nesta Viagem Vertical, um lindo mergulho na arte de viver.
"A descida seduz / como seduziu a subida. / Nunca a derrota é só derrota, pois / o mundo que ela abre é sempre uma parada / antes / insuspeitada". (W. Carlos Williams)

Ps: Se você, prezado(a) leitor(a), gosta de ler ouvindo uma boa música, ouça o cd de Rufus Wainwright, Release the Stars e faça sua própria viagem vertical.

4 comentários:

Mabel disse...

CEL!
Muito Bom!!!
Inspirador sem pieguices.
Bjs
Mabel
PS.: além de contos, temos música!
Não se acanhe t-o-d-a-v-e-z de nos proporcionar ótimos contos e ótima música!
Eles são muito bem vindos! rs

Kaligia Cristina disse...

Professor Carlos Eduardo! Nossa que saudades dos seus textos, que saudades de uma boa leitura como são as suas. Obrigada por nos proporcionar isso. Nossa!!! Que viagem é essa?Viagem vertical... adorei.
Abraço professor. Estou de volta viu.

Anne M. Moor disse...

Carlos Eduardo

A vida seduz quando a gente a deixa. Amei teu texto e fiquei com vontade de ler o livro.

Beijos de bom dia
Anne

Anderson Dantas disse...

Olá Carlos,
Tivemos um Grupo em SC que se chamava Pégasus, que tinha o intento de conciliar a Literatura com a Psicanálise.
Seu blog irá para minha lista de preferidos.
Tenho 3 livros publicados.
Abraços,
Anderson Dantas