Das palavras não guardo distância alguma. Nem quero porque quando quis me perdi. Foi assim: era criança e não sabia da carência da palavra em não ser escrita ou escutada. Entrei matadentro e não ouvi quando meu vô me chamou. Fui ganhando terreno, mas perdendo em referências. A voz do meu vô era bússola para mim. Sem norte, a noite avançou e comecei a distanciar-me de mim. Ao longe ouvia um cachorro uivar. Tive medo. Medo porque não tinha mais com quem falar. Então, comecei a falar comigo mesmo e a escrever na terra o que eu não sabia. Foi o que me salvou. Deste dia em diante não parei mais de inventar histórias (que me servem de bússolas) e de escrevê-las. Meu vô, onde estiver, ainda ri das minhas sandices.
Breve História da Alma
5 horas atrás


